As minhas experiencias em Linux
Antes de acabar as aulas decidi que nas férias iria ter uma experiencia longa em Linux. Já tinha visto qualquer coisa de Ubuntu 5.04 e de MEPIS, mas não me tinha esforçado o suficiente para compreender como se faziam algumas das tarefas mais básicas. Comecei a trabalhar em Linux a partir do dia 17 de Dezembro de 2005 e termino hoje, dia 1 de Janeiro de 2006. Pelo caminho tive mesmo muitos obstáculos que me poderiam ter feito voltar a um ambiente Windows. Mas o meu objectivo era mesmo testar até que ponto um informático conseguia realmente viver sem Windows.
Comecei por instalar o Ubuntu Breezy 5.10, no qual ainda me encontro neste momento. Aliás, pode dizer-se que os posts que foram colocados neste blog entre o dia 17 e o dia 1 foram todos escritos em Linux. A meio das férias decidi ir até ao MEPIS, uma distribuição de Linux muito boa para iniciantes, segundo alguns artigos que tinha lido. Estive uns 3 ou 4 dias em MEPIS e voltei novamente ao Ubuntu, visto que foi a distro que mais me entusiasmou desde o início, quer pelo facto de ter uma documentação muito boa, muito específica e pelo facto de ter uma comunidade sempre pronta a dar uma ajuda em casos extremos. Já o MEPIS apesar de ter uma documentação boa e ter uma comunidade forte tambem, contem alguns problemas de incompatibilidade com algumas placas de rede, nomeadamente a minha. Acho que foi uma das razões pelas quais saí fora do MEPIS.
Dia 17 entrei em Ubuntu e os primeiros problemas que encontrei foi saber como modificar os repositórios da sources.list, de forma a que o tráfego que gastasse fosse nacional. Facilmente encontrei solução para isso. Depois quis perceber porque razão os utilizadores que experimentavam Ubuntu com modems USB como o SpeedTouch diziam que não podiam colocar a distribuição a funcionar com internet. Após uma breve pesquisa percebi realmente que todos esses utilizadores ou estão enganados sobre o que lêem ou o que lhes dizem, ou realmente ainda não quiseram por as mãos nesta maravilha.
Enquanto estava em Ubuntu, o meu irmão recebeu uma pendrive que servia de dispositivo bluetooth para o pc. Então eu quis realmente por a funcionar essa pendrive aqui em Linux, de modo a que pudesse fazer trocas de ficheiros entre o telemóvel e o PC .
Tambem tinha lido que o Linux podia realmente ser tão bom media center como o Windows. Eu não compreendia como, visto que nem sequer uma musica ou um video conseguia por a funcionar. Mas lá pesquisei mais uma vez e encontrei soluções para o meu problema. Eram codecs que faltavam. Mas mesmo assim não consegui colocar as minhas musicas ou os meus videos a funcionar. A razão era simples: não tinha acesso ás partições do Windows. Estava a ficar farto de pesquisar e de tentar encontrar soluções para o meu problema, quando uma alma caridosa no IRC do Portugal-a-Programar me fez referencia a uma palavra mágica no mundo do Linux: Fstab. Lá fiz mais umas pesquisas e fiquei a salvo. Era mais fácil do que eu pensara.
Posteriormente, resolvi o problema das drivers da minha placa gráfica NVIDIA GeForce FX 5200 128Mb (velhinha, mas ainda está aí para as curvas). Como sou administrador de uma comunidade, instalei tambem um programa de FTP bem conhecido, chamado gFTP.
Por fim, consegui por o aMule a funcionar com filtros nacionais. E aí decidi experimentar o MEPIS, já que pelas minhas pesquisas encontrei referencia a muitas outras distribuições e passei os olhos por muita documentação oficial de outras distros.
SimplyMEPIS, uma distribuição Debian-based na qual podem navegar pela Internet enquanto instalam. A distribuição vem com o ambiente gráfico KDE como pre-definido, logo, como é típico do KDE, trás algumas dezenas de ferramentas, poupando assim o trabalho ao utilizador de as instalar (ou dando demasiado trabalho ao utilizador para descobrir do que realmente se tratam aquelas ferramentas todas). A nível visual é muito aprazível, apesar de que os meus gostos pelo GNOME ou pelo KDE não se diferenciam. Gosto de ambos. Julgo que ambos têm as suas próprias características, cada uma com a sua utilidade e beleza. Já vi começarem guerras em muitos foruns por causa do eterno debate GNOME vs KDE.
A verdade é que se souberem trabalhar com Ubuntu sabem trabalhar com MEPIS e o mesmo acontece com todas as distribuições baseadas em Debian. Os maiores problemas com MEPIS são encontrar repositórios nacionais para o apt-get e o problema de incompatibilidade com algumas placas Ethernet. E foi pelo facto do MEPIS ter problemas com a minha placa de rede que decidi de imediato voltar ao Ubuntu, onde tenho passado os ultimos dias de férias.
Considero que foi uma aventura que me instruíu muito no mundo da informática. Alem de serem código-aberto, as distribuições que testei têm todas as funções do Windows. Qualquer utilizador que faça o mínimo de esforço se adapta a este sistema operativo. O que é preciso é mesmo dedicação e paciência, alem de tempo e disponibilidade para resolver os problemas. Outra das razões que me levou a experimentar Linux foi o facto de eu ter preferências por sistemas operativos código-aberto. E é uma pena a Microsoft não abrir uma pequena percentagem do código dos seus produtos, ou não lançar produtos no mercado que pudessem ser alterados por programadores. Por outro lado é compreensível, já que a empresa é líder no mercado de sistemas operativos, apesar de apresentar um decréscimo nos ultimos anos face a alternativas como os sistemas Linux ou MAC OSX. Alem de que a Microsoft tem enfrentado todas as empresas de todos os outros sectores dentro da área da informática (segurança, base de dados, linguagens de programação) com o objectivo de aumentar o monopólio. Mas acontece que quanto mais tentam conquistar, mais são conquistadas. E já esteve mais longe da Microsoft apresentar soluções open-source, ou de abrir o códig-fonte de programas e aplicações mais antigas. Seria uma evolução muito boa se tal acontecesse. Eu acredito mesmo que um dia mais tarde a Microsoft se vai abrir ao mercado open-source. Mas talvez não passe de mais uma convicção pessoal.
Mas já estou a fugir ao assunto. Tenho alguns planos quanto a sistemas operativos a experimentar em tempos próximos. Tenho uma certa curiosidade pelo SUSE, pelo Fedora, pelo Gentoo e, principalmente, pelo OpenSolaris da Sun Microsystems. Mas isso já implicará novas leituras, algumas horas perdidas e muita vontade de trabalhar na área, facto que será reduzido com o recomeçar das aulas.
E porque é que tu não experimentas uma distribuição de Linux como o Ubuntu? Qual é afinal o grande medo? Será preguiça? Cá fica o desafio: se não souberes o que fazer para aprenderes mais alguma coisa na área dos sistemas operativos e tiveres vontade e motivação moral para o fazer, então faz o download do Ubuntu e começa já a trabalhar. Não é difícil, não dá assim tanto trabalho e faz com que o utilizador reaja com um auto-valorização no que toca ao seu lado informático. E todos nós temos um lado informático. Mas isso já é a minha vertente de Psicologia a falar por mim…
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