O fim definitivo do ciclo?
Maio de 2005. Este é um mês bonito. Costuma ser o mês em que eu ganho mais forças para estudar, o mesmo em que tenho mais ideias malucas não só pelo facto das férias se estarem a aproximar, mas também porque há sol, há luz. Na verdade, a luz tem um efeito realmente fantástico em mim. Para mim, a luz sempre foi o caminho, mesmo nos tempos mais escuros. Foi numa altura em que a luz começava novamente a reflectir nos espelhos partidos, nos espelhos que eu tinha partido, que surgiu a ideia de criar uma comunidade portuguesa de programadores. Uma feliz ideia, devo dizer.
Criei a comunidade e foi um sucesso, literalmente. Muita gente interessada em ajudar, muitos utilizadores para o fórum, muita gente a sorrir á minha ideia e ao trabalho que ia desenvolvendo. Em menos de um ano éramos mais de mil, tínhamos uma revista, um Centro de Downloads, mil e uma ideias, mil e um projectos. “Tudo realizável com mais trabalho, mais esforço”, pensávamos na altura. Era uma comunidade com um staff unido, difícil de dividir, onde os problemas eram facilmente resolvidos sem qualquer tipo de confusão. Era uma comunidade cujo nome se espalhava pelos mais variados fóruns nacionais, uma comunidade em expansão. Era luxo, era sucesso.
Durante uma tarde qualquer em que navegava pelo fórum deparei-me com um novo registo de um membro que falava de comunidades técnicas, liberdade de expressão, força de vontade. Tudo ideias atraentes. Era realmente fácil gostar dos textos daquele novo membro, era mesmo muito fácil ser apanhado nessa rede de engenharia social, vulgo termo na informática nos dias que correm.
Decidi convidá-lo para o staff do P@P. As suas ideias eram realmente fantásticas, os seus métodos pareciam totalmente profissionais, enfim, parecia ser uma pessoa decente e com grande capacidade de organização. Uma mais-valia para o fórum, certamente. Um homem que nos indicaria novos caminhos no sentido da eterna evolução.
O tempo foi passando e este novo membro era agora um membro muito influente no staff, não só pelas suas ideias fenomenais mas também pelos seus discursos megalómanos: criticava grandes líderes da História, falava do antigo Egipto como um exemplo a seguir, criticava as regras anti-pirataria, etc. Tinha um discurso fraco, mas escrevia bem em maiúsculas. No fim de cada frase colocava reticências e gostava de começar novas frases com letras minúsculas. Mas não deixava de ser um membro influente.
Chegou o dia em que as suas ideias começaram a parecer-me demasiado estúpidas para uma comunidade como a nossa. Chegou tambem o dia em que comecei a achar que as ideias não eram realmente suas. Chegou ainda o dia em que esse novo membro se decidiu intrometer de forma espantosa no destino do fórum, ameaçando acabar com a comunidade no caso de não fazermos o que bem queria. Chantagem, mentira, arrogância, tudo concentrado numa só pessoa. Cheguei á comunidade a saber alguma coisa sobre o ser humano, mas provavelmente sairei a saber muito mesmo com a experiência que tive com este membro. Como é possível alguém ser tão fraco humanamente? Mas o melhor é que este membro se considera um defensor dos direitos humanos, da liberdade, da anarquia… tal como Hitler se considerava, ou Estaline, ou G.W. Bush.
A verdade é que tentei lutar contra as imposições deste senhor por achar que não é o melhor para o fórum. É também verdade que o grande culpado da situação ter chegado ao que chegou sou eu, que lhe dei poder suficiente para se impor contra mim e contra as ideias que estão nos alicerces da comunidade. É ainda verdade que esta situação arrasta-se há mais de 6 meses, pelo que me considero oficialmente incapaz de resolver os problemas de forma correcta, através da palavra. Podia simplesmente expulsá-lo do staff, podia simplesmente fazer outra coisa qualquer, no entanto sou incapaz de fazer as coisas dessa forma, por uma questão ideológica e educacional.
Este é o meu atestado de incompetência perante a situação. De incompetência e de cansaço, pois esta luta desgasta-me numa coisa que não é prioritária. Já ameacei saír uma vez, quando as coisas não me agradaram minimamente e é graças ás coisas que tolerei nessa altura que actualmente o staff está a passar por toda esta crise. As minhas desculpas a todos os que um dia acreditaram que seria capaz de inverter a situação. Eu tentei, mas não consegui. Indicarei alguém capaz de o fazer. Isto se esse senhor não se demitir, porque a sua demissão é o que eu peço e o que todos pedimos! É impossível trabalhar num ambiente como o que se vive actualmente.
A escuridão do mês de Outubro – breve reflexão e análise
- E quê, tens escrito no teu outro blog? No outro sem ser o do HerzyaGang.. – perguntou-me hoje um colega na aula de matemática.
- Por acaso até tenho.Não tenho é publicado o que escrevo.
- Bom, eu só o costumo visitar quando o colocas no nick. Tens de começar a publicar mais uns textinhos, porque aquilo até tem a sua piada de se ler… – disse o meu colega, enquanto a professora mandava o Lages virar-se para a frente, já que me estava a tentar desapertar os cordões.
- É pa, piada?! Eu não costumo escrever por lá anedotas. – respondi em tom de desafio, enquanto revia um exercício que tinha feito mal. Raio de assímptotas!
- Não é isso. É que escreves bem e costumas escrever sobre informática, né? Então, gosto de ler a tua opinião sobre a actualidade, sobre as coisas que se vão sucedendo. – argumentou o tal colega que mantia uma conversa em sussurro enquanto a professora ameaçava o Lages que o punha lá fora, pela milésima vez.
- Ah. Sendo assim, vou ver se hoje escrevo qualquer coisa sobre a actualidade.
E assim começou a ideia de voltar a publicar o que escrevo. Não me estava a apetecer muito escrever em relação a uma certa e determinada notícia, pelo que optei por fazer uma abordagem ao que se sucedeu no mês transacto.
Outubro, o mês das castanhas. O mês do Magusto, mês do orçamento de Estado, mês do Halloween, mês em que o primeiro classificado da Superliga reforça o seu domínio. É um mês particularmente feio e longo: feio porque aparecem os testes de 12º ano e porque é folhas para cá, folhas para lá, ruas sujas de folhas caídas das árvores, mulheres vestidas com roupa Outono/Inverno (leia-se, mulheres começam a ficar todas tapadinhas, ao contrário do que acontece em Junho, Julho, Agosto e até Setembro); longo, simplesmente por ter todas estas características (longevidade psicológica) e por ter 31 dias.
Na área da informática, os avanços e as histórias são também longos. A Yahoo! disponibilizou o código-fonte das contas de e-mail á comunidade open source, um acto que foi muito comentado no início do mês e que se trata de mais um passo na abertura de conteúdos á comunidade. A Yahoo! junta assim o útil ao agradável: atrai uma comunidade mais técnica para o seu portal e faz concorrência de ideiais ao Google, lançando-se novamente nuam competição que ainda muito tem para dar. É, certamente, uma “novela” que não ficou por aqui.
O Departamento de Informática do IST arrecadou, também no início do mês, o Prémio Científico IBM 2005, desta vez para o professor Paulo Mateus pela sua tese “Análise de Sistemas de Prova de Conhecimento Nulo”, onde aborda a segurança dos sistemas de informação nas tecnologias e serviços habitualmente utilizados pelos cidadãos. Para mais informações, consultem esta thread.
Ainda no início do mês, surge publicamente a notícia de que a Universidade de Aveiro, através dos esforços da unidade de investigação Instituto de Engenharia Electrónica e Telemática de Aveiro, havia desenvolvido o Vital Jacket, um pré-produto que alia a tecnologia têxtil à micro-electrónica permitindo a monitorização de diversos pontos vitais do corpo do utilizador, tais como, os batimentos cardíacos, a temperatura, a saturação de oxigénio no sangue e a actividade física. Mais uma inovação assinada por portugueses que passou despercebida na comunicação social, mas que merece, sem qualquer dúvida uma forte divulgação pela comunidade técnica, geek, whatever.
A 11 de Outubro, o Governo e o instituto norte-americano MIT assinaram um acordo de parceria na área da gestão e engenharia, que envolve 7 universidades portuguesas.
Algo que merece tambem ficar registado.
Ainda em Outubro, surge uma notícia estrondosa no que diz respeito ao e-business e ao crescimento da informática enquanto negócio: o Google compra o Youtube, por um valor de 1,6 mil milhões de dólares (aproximadamente 1,3 mil milhões de euros). Para quem não sabe, o Youtube é um serviço de streaming de vídeos – caseiros na sua maioria- onde são descarregados cerca de 100 milhões de vídeos por dia. Na altura surgiram muitas críticas, mas a verdade é que o Google fechou um negócio que estava a ser pensado por todos os seus concorrentes.
Mesmo apesar de existir a possibilidade do Google ter de enfrentar alguns processos por causa dos direitos de autor, a empresa que actualmente domina o mercado de e-business conseguirá, concerteza, dar a volta á situação. Não me parece que venham a ter problemas com esse tipo de coisas e parece-me que as críticas que apareceram foram demasiado bem pagas (Yahoooooo!) para serem levadas a sério.
Por último e para completar esta breve análise do mês de Outubro, saíu a versão 2.0 do Mozilla Firefox. Podem fazer download do software aqui.
No mundo da informática, parece que o mês de Outubro não foi assim tão escuro.
Já falando a nível pessoal, o mês de Outubro foi marcado pela abundância de testes, pela necessidade de cada vez mais dedicação ao P@P, pela organização da festa de Halloween com o meu grupo de amigos (somos mais que as mães, pelo que a festa teve de ser muito bem pensada. Como sempre, para pensar, contaram com a boa vontade do Deathseeker). Apesar da festa não ser propriamente em minha casa, fui eu que tive de tratar dos pormenores mais complicados e esclarecer algumas arestas. Mas o resultado final doi muito agradável e foi uma grande festa. Um Halloween em grande, um Halloween á HerzyaGang. Um Halloween á moda de Lavra, mas festejado numa piscina em Perafita.
Existem outros motivos ainda para eu afirmar que este foi um mês negro, mas essas prefiro não revelar em público.
Um grande abraço a todos os leitores.
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